Rookmaaker e Baudelaire
Rookmaaker, embora de maneira distinta da tradição que se inicia em Baudelaire e no dandismo, opera dentro de certa chave do embaralhamento arte-vida: a saber, da arte como enriquecedora espiritual da vida. “estamos buscando artistas que trabalhem dentro da sociedade e que, dessa forma, tenham sua participação em tornar a vida vivível, rica no sentido espiritual, profunda e estimulante” (Rookmaaker, 2010, p. 34). Pode-se assim, entender afirmações como a seguinte, que compara a arte a um encanamento
Para utilizar uma metáfora, a arte não deve ser comparada à pregação. Mesmo a melhor obra de arte ainda seria uma pregação ruim. Ela pode ser comparada ao ensino, mas o professor frequentemente tem de falar sobre matemática, geografia, história, botânica e, às vezes, mesmo que raramente, sobre religião. A melhor comparação talvez seja com um encanamento. Embora ele seja algo totalmente indispensável em nossas casas, raramente nos damos conta de sua existência. (Rookmaaker, 2010, p. 38).
Interessantemente, não deixa de se relacionar com o que aparece como problema em Galard (1997): a crise contemporânea da arte significa que a delimitação de seu objeto desfez-se ou que, enfim, a arte alcançou todas as esferas da vida? Ou, mantendo-se próximo aos irmãos holandeses, crises nas artes são, com frequência, crises profundas “de natureza espiritual que afeta todos os aspectos da sociedade” (Rookmaaker, 2010, p. 20).
Galard, J. (1997). A beleza do gesto (M. A. L. de Barros, Trad.). São Paulo: EdUSP.
Rookmaaker, H. R. (2010). A arte não precisa de justificativa (F. Guarany Jr., Trad.). Viçosa: Ultimato.